Recebi o diagnóstico de autismo ou TDAH: o que fazer nos primeiros 30 dias

O diagnóstico costuma chegar com duas sensações ao mesmo tempo: alívio por ter um nome para o que a família já percebia e medo do que vem pela frente. As duas são normais. A primeira coisa a saber é que o diagnóstico não exige que você faça tudo no primeiro mês. Ele pede que você comece pelo que é essencial.
Semana 1: respirar e guardar o que você recebeu
Peça o laudo ou relatório por escrito e guarde uma cópia, impressa e digital. Esse documento será pedido pela escola, por planos de saúde e por outros profissionais. Anote o nome de quem fez a avaliação e o que foi indicado como próximo passo.
Antes de sair do consultório, ou na consulta de retorno, vale perguntar:
- Quais são as áreas em que meu filho mais precisa de apoio agora?
- Que acompanhamentos você indica (fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia, apoio pedagógico) e por onde começar?
- O que posso fazer em casa a partir de hoje?
- Quando devemos nos reencontrar para rever o plano?
Semana 2: observar e registrar
Antes de mudar a rotina inteira, observe. Em duas semanas de anotações simples você começa a enxergar padrões: em que horários a criança fica mais irritada, quais lugares e barulhos pesam, o que ajuda a acalmar. Não precisa ser um diário longo. Três linhas por dia já ajudam, e esse material será muito útil na consulta seguinte. Se quiser um formato pronto para registrar crises, veja o texto sobre o modelo ABC.
Semana 3: conversar com a escola
Marque uma conversa com a coordenação ou com a professora e leve o relatório. Fale do que funciona com a criança, e não só das dificuldades: como ela se acalma, que tipo de instrução entende melhor, quais situações costumam ser difíceis. Pergunte como a escola costuma apoiar alunos com necessidades específicas.
Vale também conhecer a legislação que protege a criança. A Lei 12.764/2012 (Lei Berenice Piedade) institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, e a Lei 14.254/2021 trata do acompanhamento integral de estudantes com dislexia, TDAH ou outros transtornos de aprendizagem. Cada situação tem detalhes próprios, então confirme com a escola, a secretaria de educação ou um profissional jurídico o que se aplica ao seu caso.
Semana 4: escolher poucas prioridades
É tentador querer resolver sono, alimentação, escola, birras e comunicação ao mesmo tempo. Na prática, funciona melhor escolher uma ou duas prioridades, combinar com os profissionais e manter por algumas semanas. Exemplos: uma rotina visual para as manhãs, uma forma combinada de pedir pausa, ou um jeito de avisar mudanças com antecedência.
O que pode esperar
- Pegar o ritmo leva tempo. Marcar consultas, entender a rotina de terapias e ajustar a casa não acontece em 30 dias.
- Sua criança continua sendo a mesma criança de ontem. O diagnóstico muda o jeito de apoiar, não quem ela é.
- Cuidar de você conta. Pais descansados e informados sustentam melhor a rotina. Procure apoio de outras famílias e, se precisar, de acompanhamento para você também.
Um resumo para guardar
No primeiro mês: guardar o laudo, anotar o que observa, conversar com a escola e escolher uma ou duas prioridades. O resto vem com o tempo.
Fontes: Lei nº 12.764/2012; Lei nº 14.254/2021.
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