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Meu filho tem crises: como registrar o que aconteceu antes e depois

Aprender com Amor · 23 de outubro de 2026 · 6 min de leitura
Mãe consolando o filho

Na consulta, a pergunta quase sempre é a mesma: “quando foi a última crise e o que aconteceu antes?”. Em casa, poucas horas depois, a gente já não lembra direito. O registro ajuda a lembrar e a enxergar padrões que passam batido no meio do cansaço.

O que é o modelo ABC

É uma forma simples de anotar um episódio difícil, usada por muitos profissionais que acompanham crianças. A sigla vem de três perguntas:

A · AntesO que estava acontecendo? Havia barulho, mudança de plano, fome, sono, uma ordem nova, uma tarefa difícil?
B · ComportamentoO que a criança fez, de forma objetiva? Chorou, gritou, saiu correndo, ficou em silêncio, se jogou no chão?
C · DepoisO que aconteceu em seguida? Quanto tempo durou? O que ajudou a acalmar? Como a criança ficou depois?

Além do ABC, anote o dia e a hora. Com algumas semanas de registro, você leva ao profissional informações concretas em vez de uma lembrança vaga.

Um exemplo de registro

Dia e horaAntesComportamentoDepois
Terça, 18h10Fim do dia, jantar atrasado, TV desligada sem avisoChoro alto e jogou o prato no chãoDurou cerca de 10 minutos. Acalmou no colo, com luz baixa
Sexta, 7h30Troca de roupa com pressa, camiseta novaGritou que a roupa “pinicava” e se recusou a sairVoltou à camiseta antiga e saiu em 5 minutos

Este é um exemplo inventado, só para mostrar o formato. O seu registro pode ser ainda mais curto.

Como anotar sem complicar

O que olhar depois de algumas semanas

Releia o registro e procure repetições. As crises se concentram em algum horário? Aparecem depois de mudanças sem aviso, em lugares barulhentos, com fome ou cansaço? Esses padrões não dão um diagnóstico, mas dão pistas para você e para o profissional ajustarem a rotina e as estratégias.

O que levar para a consulta

Leve as anotações dos últimos 15 a 30 dias, com dias, horários e o ABC de cada episódio. Se possível, destaque os três registros que mais preocuparam. Isso torna a conversa mais objetiva e ajuda o profissional a decidir os próximos passos.

Atenção: o registro é feito pela família e não é uma avaliação clínica. Se a criança se machucar, machucar outros ou houver mudança brusca de comportamento, procure o profissional que acompanha seu filho sem esperar a próxima consulta.

Este texto é informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento feito por profissionais de saúde e educação. Se houver risco de machucar a criança ou outras pessoas, procure ajuda profissional imediatamente.

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